O despertar espiritual
 
 
A história de Fernão Capelo Gaivota
 
 
Quando eu tinha em torno de 17 anos, li um livro que contava a história de uma gaivota. Talvez você conheça: Fernão Capelo Gaivota. Essa história me marcou, falou profundamente comigo. Ela me fazia sonhar com universos que eu desconhecia. A história de Fernão Capelo Gaivota era singela, mas significou muito na minha vida. 
 
O livro conta a história de uma gaivota que não se conformava com a vida que o seu bando vivia. Fernão via as outras gaivotas passando o dia em busca de comida, mas ele queria mais. Ele queria voar mais alto, mais rápido, queria ir mais longe. E acreditava que podia. 
 
Suas ideias eram diferentes e por isso foi banido do seu bando.  E então, partiu e voou para muito longe. Passava seus dias treinando. Queria voar cada vez mais alto, cada vez mais veloz, queria fazer acrobacias no ar e acrobacias cada vez mais ousadas. 
 
Um dia ele encontra duas gaivotas brilhantes, que voavam com muita beleza e mestria. Era tudo o que ele sonhava fazer. Ele então passa a segui-las. Queria aprender com elas. 
 
E ele aprende; e voa mais alto e mais rápido. E então, percebe que estava ficando brilhante. 
 
Um dia, ele encontra um bando de gaivotas brilhantes e se sente em casa. Eram gaivotas belas e rápidas, e estavam sempre treinando, praticando para voar cada vez melhor. Eram poucas, mas especiais. No meio dessas gaivotas brilhantes, Fernão encontra uma gaivota ainda mais experiente. Ela começa a ensinar a ele, torna-se seu instrutor.  
 
Um dia, Fernão ouve seu instrutor lhe dizer:
 
“Tem alguma ideia, Fernão, de por quantas vidas tivemos de passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando? Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de que o nosso objetivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo.”
 
O tempo passa e um certo dia Fernão conhece Chiang, a gaivota mais sábia e brilhante daquele bando. Ela lhe diz:  
 
“O paraíso não é um lugar nem um tempo. O paraíso é ser perfeito. Você começará a se aproximar do paraíso no momento em que alcançar a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilômetros por hora, nem a um milhão e quinhentos mil, nem voar à velocidade da luz. Porque nenhum número é um limite, e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita é estar ali.”
 
Assim que disse isso, Chiang desapareceu e reapareceu a uns quinze metros de distância. Depois sumiu outra vez e surgiu imediatamente ao lado de Fernão.  Fernão ficou impressionado; aquilo era uma coisa que parecia impossível de ser feita. 
 
 Chiang olhou para o horizonte, pensativo, e disse: 
 
“Desde que você o deseje, pode ir a qualquer lugar, a qualquer momento”.
 
E acrescentou: “(...) as gaivotas que desprezam a perfeição por amor ao movimento não chegam a parte alguma. As que ignoram o movimento por amor à perfeição chegam a toda parte, instantaneamente.” 
 
Fernão ficou pensando sobre os sábios conselhos de Chiang. E resolveu que iria tentar... até que um dia, ele conseguiu passar de um lugar para outro instantaneamente. Ele tinha conseguido. E então, ficou pensando nas gaivotas do seu antigo bando. Como elas estariam? Será que mais alguma gaivota tinha sido banida por querer coisas que pareciam impossíveis?  
 
Uma ideia começou a surgir dentro dele. Ele se debateu com seus pensamentos. E decidiu o que ia fazer: ia voltar. Ele precisava dizer às gaivotas que ele tinha conseguido e que elas também poderiam conseguir. Então ele volta. 
 
No caminho, Fernão encontra as gaivotas que tinham sido banidas do bando. Elas estavam treinando ultrapassar seus limites. E ele se torna seu instrutor.
 
O tempo passa e Fernão vai se tornando mais e mais brilhante. Até que um dia ele desaparece da vista dos seus discípulos, no meio de uma grande luz. Mas... quando ele desaparece, seus discípulos já estavam prontos.E começam a ensinar às outras gaivotas que chegavam, a respeito do caminho para a transcendência. 
 
Uma história atemporal, universal
 
Essa foi a história que marcou minha juventude, que semeou muitos sonhos dentro de mim e que continua me inspirando até hoje. 
 
O tempo passou, eu me tornei adulta e, um dia, me dei conta de que eu estava vivendo uma história parecida com a de Fernão Capelo Gaivota. 
 
Aos poucos, fui percebendo que a minha história, assim como a de Fernão, era a mesma história de todos os que despertavam da inconsciência. E os passos que Fernão percorreu eu agora estava percorrendo. E todos que despertavam também percorriam. Aquela era uma história universal, atemporal, uma história vivida por muita gente... 
 
Talvez seja a sua história. 
 
Um novo significado para a vida
 
Mas, o que aconteceu comigo naquele tempo? Eu vivia uma vida comum. Tinha passado por momentos difíceis e estava me acostumando com uma vida mais serena, me recuperando da sacudida que a vida me deu. Foi quando eu despertei. 
 
Comecei a ver o mundo com outros olhos, como se eu estivesse olhando para as coisas pela primeira vez. Do meu novo ponto de observação, eu percebia as pessoas vivendo vidas que me pareciam vazias de significado, como no bando de Fernão Capelo Gaivota. Como se estivessem seguindo um roteiro que não era delas. Fazendo coisas por fazer, inconscientes, quase mecanicamente, sem perspectivas mais elevadas. 
 
Mas eu achava que, em algum lugar, havia pessoas que também tinham anseios semelhantes aos meus. Pessoas que quisessem da vida um pouco mais do que  comer, trabalhar e se divertir.
 
Naquele tempo, comecei a ter vislumbres sobre o significado da minha vida. Compreendi a razão por ter nascido e por que as coisas eram como eram na minha vida. As perguntas apareciam, aos milhares, de dentro de mim. E foi assim que comecei uma busca interior que permanece até hoje. 
 
Os conhecimentos espirituais começaram a brotar de dentro de mim como se fossem sementes adormecidas que estivessem despertando. E eram coisas surpreendentes, instigantes, era algo emocionante, era como estar vivendo uma aventura. 
 
Na minha busca interior, encontrei o Pássaro Brilhante, como aconteceu com Fernão. Eu mal podia acreditar que pudesse haver alguém de tanta sabedoria, tanto poder e amor. Eu chamei o Pássaro Brilhante de Mestre e me senti fortemente ligada a ele. 
 
O restante da minha história foi muito semelhante à de Fernão Capelo Gaivota. Encontrei o lugar onde moram os pássaros brilhantes e fui aprendendo com eles. Depois eu retornei às coisas comuns da minha vida. Eu estava diferente. Tive dificuldade para me situar no mundo novamente. Mas eu fui me situando, aos poucos, porque, com o meu despertar, eu compreendi também o caminho que eu queria seguir... no mundo. 
 
Naquele tempo, eu ainda não sabia que aquele despertar tão marcante era apenas o primeiro e que a vida me reservaria ainda outros. 
 
Mas e você?
 
Como você se situa no contexto desta história, na história de Fernão Capelo Gaivota? 
 
Sua viagem interior já começou? Onde você está, nessa jornada? 
 
 

Fátima Soraggi

 
 
*Venha conhecer o desenvolvimento desse assunto no Curso Ensinamentos da Grande Fraternidade Branca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright 2018 - Instituto Aura Mater - Todos os direitos reservados